Estruturar a oferta

Os elementos até agora considerados situam com clareza a dimensão do desafio de qualificação de jovens e adultos que se coloca ao país.

Este desafio obriga, em primeiro lugar, a estruturar uma oferta de cursos de educação e formação suscetível de proporcionar o envolvimento de um número crescente de pessoas em percursos qualificantes e, complementarmente, a reunir condições que garantam o reforço da qualidade dessas ofertas.

O aumento do número de vagas, a diversificação dos cursos, o reforço da legibilidade da oferta, a inovação curricular, o reconhecimento de competências adquiridas por via da experiência, o alargamento da rede e perfil de promotores, a instituição de dispositivos de certificação da qualidade mais afinados, a introdução de critérios de financiamento que distingam resultados são algumas das linhas de atuação que permitirão melhorar a capacidade de resposta ao nível da oferta.

Assegurar uma eficaz articulação dos sistemas de educação e formação no que se refere, nomeadamente, à organização da oferta de cursos profissionalizantes e à gestão da rede de estabelecimentos de ensino e formação é, pois, uma prioridade.

A ambição definida nesta Iniciativa exige, porém, que a atuação política se estenda à esfera da procura. Estimular a procura surge, neste plano, como condição de sucesso do trajeto proposto, sendo primordial atender à importância de mobilizar os portugueses para o desafio da aprendizagem. A sensibilização e o desenho de sistemas de estímulos adequados aos diferentes públicos assumem, por isso, grande importância.

O estímulo à procura de formação situa, no entanto, outros espaços de atuação. Desde logo ao nível da organização e funcionamento dos cursos, contemplando soluções facilitadoras da participação, sobretudo dos ativos, mas também no que se refere às estratégias de financiamento, procurando introduzir modalidades que promovam uma maior responsabilização individual na escolha das trajetórias formativas. Ainda ao nível do financiamento considera-se indispensável garantir uma maior mobilização de instituições privadas na comparticipação do esforço de investimento em causa.

Deste modo será possível criar condições favoráveis a uma melhor articulação entre as dinâmicas de procura e oferta de formação, bem como captar os recursos suficientes à concretização dos objetivos estabelecidos através da diversificação das fontes de financiamento.

A estratégia de ação que agora se apresenta tem por objetivo acelerar o ritmo de progressão dos níveis de escolarização secundária, ambicionando encurtar o intervalo de tempo que nos permitirá alcançar os valores médios europeus e, desse modo, reunir recursos fundamentais de competitividade equiparados à média dos países da União Europeia. Por isso, as metas consagradas nesta Iniciativa representam um esforço ímpar ao nível do investimento em educação e formação.

O caminho a percorrer requer uma clara identificação dos domínios de aposta que permitirão cumprir a ambição enunciada. Neste plano, importa distinguir dois eixos de intervenção que, embora articulados e apoiados por reformas em aspetos chave do funcionamento dos sistemas de educação e formação, apresentam uma estratégia e metas próprias. O primeiro eixo de atuação dirige-se à qualificação de jovens e o segundo está especialmente orientado para a qualificação dos adultos.

O primeiro eixo consagra, como recurso fundamental para estancar o fluxo de jovens que deixam os sistemas de educação e formação sem concluírem o ensino secundário, um claro reforço do ensino profissionalizante de dupla certificação, fazendo com que o número de vagas em vias profissionalizantes passe a representar metade do total de vagas ao nível do secundário. O objetivo é claro: fazer com que o 12º ano de escolaridade seja o patamar mínimo de escolarização dos jovens que saem hoje dos sistemas de educação e formação e que os trajetos de qualificação profissional garantam, em simultâneo, uma certificação escolar e profissional.

Para os adultos, a estratégia definida é a de possibilitar aos que já estão no mercado de trabalho sem terem completado o 12º ano de escolaridade, uma nova oportunidade. A expansão da oferta de cursos de educação e formação de adultos e o alargamento da rede e número de pessoas abrangidas pelo Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências constituem os elementos nucleares desta estratégia. Este sistema é encarado como via estratégica para envolver adultos em percursos qualificantes na justa medida em que permite reconhecer as competências adquiridas pela experiência, ao mesmo tempo que se propõem itinerários formativos adequados ao ponto de partida de cada um.

Esta aposta considera, também, o reconhecimento de que a capacidade de aquisição de competências ao longo da vida é amplamente influenciada pelo nível de qualificação de base de cada pessoa. Assim, ao promovermos a qualificação de base da população adulta estamos, também, a promover a eficácia e os resultados do investimento ao nível da formação contínua de ativos.

Este esforço será financiado através de reorientação de despesa nos Ministérios da Educação e do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social, bem como de verbas dos Fundos Estruturais, razão pela qual a programação apresentada está fortemente ligada à entrada em vigor do próximo ciclo de apoios comunitários.

No âmbito do processo de auditorias aos diversos Ministérios, atualmente em curso, está a ser equacionada a organização institucional da formação profissionalizante de jovens e da educação de adultos, tendo em vista melhorar a organização das competências e recursos existentes. Pretende-se assim criar as condições para a execução, acompanhamento e avaliação das medidas propostas nesta Iniciativa, através da articulação de esforços e recursos dos vários atores dos sistemas de educação e formação envolvidos.

A entrada em funcionamento do Conselho Nacional de Formação Profissional, que acompanhará o início de vigência da Iniciativa Novas Oportunidades, constitui um passo fundamental no sentido de se criarem condições favoráveis ao seu desenvolvimento. Constituindo um órgão de consulta tripartida, o CNFP desenvolverá uma ação na articulação de posições, mobilização de vontades e elaboração de soluções técnicas suscetíveis de facilitar e tornar mais eficaz o desenvolvimento da estratégia gizada.

O desenvolvimento da Iniciativa será ainda acompanhado por um painel de peritos nacionais e internacionais.

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O Catálogo Nacional de Qualificações é um instrumento de gestão estratégica de qualificações de nível não superior que conferem dupla certificação (escolar e profissional).

www.catalogo.anq.gov.pt

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Os Avaliadores Externos são elementos que integram os Júris de Certificação de Processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) nos Centros Novas Oportunidades, desempenhando uma função reguladora e de afirmação social dos referidos processos. Compõem uma Bolsa Nacional de avaliadores acreditados pela ANQ.

www.avaliadores.anq.gov.pt

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A Agência Nacional para a Qualificação, I.P. é um instituto público, tutelado pelos Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Educação, com a missão de coordenar a execução das políticas de educação e formação profissional de jovens e adultos e assegurar o desenvolvimento e a gestão do Sistema de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências.

www.anq.gov.pt

O Sistema de Informação e Gestão da Oferta Educativa e Formativa, coordenado pelo GEPE-ME, gere os percursos de qualificação de dupla certificação de adultos e as redes nacionais de ofertas de educação-formação. É a base para a informação estatística relativa à Iniciativa Novas Oportunidades.

SIGO - Adultos
Centros Novas Oportunidades
Cursos EFA
Formações Modulares Certificadas

SIGO – Jovens
Cursos Científico-Humanísticos
Cursos Tecnológicos
Cursos Profissionais
Cursos de Educação e Formação
Cursos de Aprendizagem
Cursos Artísticos Especializados

Guia de Acesso

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O Mundo das Profissões é um espaço de valorização das profissões. Tem como objectivos informar os jovens e as famílias sobre as saídas profissionais de nível secundário e qualificações que lhes dão acesso, promover o contacto dos jovens com o mundo do trabalho e apoiar as escolas e centros de formação na orientação das suas escolhas.

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